Green Eletron

Jéssica Teixeira comenta sua carreira na área da sustentabilidade e estratégias da HP em logística reversa de eletroeletrônicos

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Você poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória profissional? Qual foi o caminho percorrido até o seu cargo atual e de que forma ele se conecta com sustentabilidade? 

Eu comecei na HP ainda como estagiária de sustentabilidade, onde tive a oportunidade de acompanhar de perto os primeiros movimentos de compliance e programas de reciclagem da companhia. Ao longo dos anos, passei por diferentes funções, de analista a posições de liderança, sempre com foco em projetos socioambientais, economia circular e engajamento de stakeholders. Desde 2022, atuo como Brazil Sustainability Lead na HP, liderando a estratégia de sustentabilidade alinhada aos objetivos globais da empresa e fortalecendo a agenda de impacto positivo no Brasil e na América Latina. Essa trajetória me permitiu consolidar uma visão integrada: de um lado, a importância da regulação e da conformidade, e de outro, a necessidade de inovar e engajar sociedade, clientes e parceiros na construção de soluções sustentáveis.  

Como a HP interpreta a legislação de logística reversa no Brasil? Quais são os principais desafios e oportunidades para o negócio nesse contexto?  

A HP entende a legislação de logística reversa brasileira como fundamental para impulsionar a economia circular no país. Para nós, a logística reversa sempre foi vista como uma responsabilidade das empresas de tecnologia e da sociedade como um todo. Por isso, desde 2008, antes mesmo da assinatura do acordo setorial de eletroeletrônicos, já implementávamos no Brasil o programa HP Planet Partners, que possibilita o descarte gratuito e a reciclagem de cartuchos e equipamentos de TI da HP. Esses itens são reinseridos na cadeia produtiva por meio de um processo de ciclo fechado, no qual materiais reciclados localmente são transformados em novas partes e produtos HP, sempre em conformidade com as exigências regulatórias. 

Essa prática está alinhada a nossa visão global de circularidade, que busca reduzir a dependência de recursos finitos, prolongar a vida útil dos produtos por meio de reparo, reuso e upgradeabilidade, e minimizar os impactos ambientais no fim de uso. Como membro da Ellen MacArthur Foundation Network, participamos ativamente de discussões para acelerar a transição para uma economia circular prática e escalável. 

No Brasil, reconhecemos que os principais desafios são a capilaridade da coleta em um país de dimensões continentais e a conscientização do consumidor sobre o descarte adequado. Ao mesmo tempo, vemos grandes oportunidades: fortalecer parcerias com cooperativas de catadores, ampliar a rastreabilidade dos resíduos e integrar cada vez mais a cadeia de valor. Assim, a legislação deixa de ser apenas um requisito de compliance e se torna um motor para inovação e governança ambiental. 

Como a parceria com a Green Eletron tem contribuído para que a sua empresa fortaleça sua governança ambiental e atenda às exigências regulatórias para o descarte correto de seus produtos?  

A HP integra a Green Eletron desde a sua concepção, justamente por acreditar que o engajamento setorial é essencial para o desenvolvimento e a concretização de políticas ambientais eficazes. Entendemos que iniciativas coletivas fortalecem a governança ambiental, ampliam a capilaridade da coleta e aumentam a confiança da sociedade nos sistemas de logística reversa. 

 A Green Eletron tem desempenhado um papel fundamental tanto na conscientização da população sobre o descarte adequado de eletroeletrônicos, quanto no cumprimento das exigências regulatórias estabelecidas pelo acordo setorial. Essa parceria nos permite garantir rastreabilidade, transparência e conformidade, além de fomentar a indústria de reciclagem no país. Dessa forma, conseguimos não apenas atender às obrigações legais, mas também fortalecer a circularidade e a transição para um modelo mais sustentável de produção e consumo no Brasil. 

 Para quem deseja ingressar nesta área com foco em sustentabilidade, quais habilidades e conhecimentos você considera essenciais? 

Para ingressar na área de sustentabilidade, recomendo desenvolver três pilares principais:  

  • Conhecimento técnico e regulatório — é fundamental entender os conceitos de economia circular, logística reversa e as metas globais de ação climática. Na HP, por exemplo, temos metas validadas pela SBTi, como alcançar 75% de circularidade em produtos e embalagens até 2030, reduzir em 65% as emissões diretas (Escopos 1 e 2) até 2025 e combater o desmatamento na cadeia de suprimentos até 2030. Esses marcos mostram como a sustentabilidade precisa estar embasada em dados e métricas claras. 
  • Visão de negócio e impacto sistêmico — sustentabilidade não é uma área isolada; exige enxergar a empresa de ponta a ponta para propor projetos e soluções que tragam valor estratégico ao negócio, ao mesmo tempo em que geram impacto positivo para a comunidade e o meio ambiente. Essa visão conecta sustentabilidade às prioridades corporativas e garante que ela seja motor de inovação, eficiência e reputação. 
  • Visão de impacto e engajamento multissetorial — além da técnica, sustentabilidade requer comunicação clara e habilidade de engajar múltiplos stakeholders, internos e externos. É transformar requisitos regulatórios em valor estratégico e social, mostrando para clientes, parceiros e sociedade que sustentabilidade é uma oportunidade de diferenciação e de construção de futuro.