Lixo Eletrônico
Afinal, como se mede a quantidade de lixo eletrônico?
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Neste ano, a ONU publicou a 3ª edição do seu guia de referência para estatísticas de lixo eletrônico. Entenda os conceitos centrais e o que mudou na metodologia global.
Os dados da geração de lixo eletrônico no mundo impressionam.
Globalmente, podemos sair de 62 milhões de toneladas anuais, registradas em 2022, para 82 milhões até 2030.
Menos de ¼ de tudo isso é reciclado, e a tendência é que o percentual caia ainda mais no início da próxima década. Mas, afinal, como exatamente chegamos a esses números? Quem os produz, com base em quê? Neste artigo, você vai entender!
Por que é importante medir a quantidade de lixo eletrônico?
Sem dados confiáveis e sem comparações, é difícil que políticas públicas se tornem eficazes. Isso também é verdade para o descarte de equipamentos eletroeletrônicos, baterias e pilhas.
Por isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) publica o E-waste Statistics: Guidelines on Classifications, Reporting and Indicators. É um guia de referência global para estatísticas de lixo eletrônico, com a proposta de equalizar os dados dos diferentes países e permitir comparações internacionais confiáveis.
Em fevereiro de 2026, o documento ganhou sua terceira edição, com atualizações metodológicas importantes que podem auxiliar a forma como países, empresas e organismos internacionais medem e reportam seus dados. Essas alterações devem impactar as próximas estatísticas globais e nacionais de resíduos eletrônicos.
O que é o guia da ONU e quem o produz
O Programa de Ciclos Sustentáveis (SCYCLE) do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (UNITAR) coordena o E-waste Statistics, e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a União Europeia financiam a iniciativa.
Por fim, a Partnership on Measuring ICT for Development endossa o guia. Trata-se de uma coalizão que reúne organizações como a União Internacional de Telecomunicações (ITU), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Banco Mundial, o serviço de estatísticas da União Europeia (Eurostat) e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
A primeira edição do E-waste Statistics foi publicada em 2015, já com o objetivo de formalizar uma metodologia comum que permitisse que países produzissem estatísticas comparáveis internacionalmente.
A segunda edição, em 2018, aprofundou as fórmulas matemáticas e ampliou os exemplos de aplicação nacional. Agora, a terceira edição atualiza a classificação dos equipamentos, incorpora novos métodos de medição e atualiza conceitos e parâmetros técnicos.
Conceitos centrais para entender como o lixo eletrônico é medido

Equipamentos elétricos e eletrônicos (EEE)1
É a categoria-base e inclui qualquer produto que dependa de corrente elétrica ou campo eletromagnético para funcionar. Isso vai desde eletrodomésticos e celulares até painéis fotovoltaicos, equipamentos médicos e servidores de data centers.
Introduzido no mercado2
Quantidade de EEE colocada no mercado de um país, ou região, em determinado período. É o ponto de partida da cadeia de logística reversa: quanto mais equipamentos entram em circulação, maior tende a ser a geração futura de resíduos.
Segundo a própria terceira edição do E-waste Statistics, foram colocadas, no mercado global, 96 milhões de toneladas de EEE em em 2022: mais de 50% a mais do que em 2010.
Lixo eletrônico gerado3
Quantidade estimada de EEE que se torna resíduo, em determinado país e período, e ainda não foi coletado, tratado e destinado.
Como consumidores e empresas nem sempre descartam os equipamentos imediatamente após o fim de sua vida útil, ou, ainda, esses produtos podem ser reparados ou reutilizados, a metodologia utiliza a quantidade de EEE colocada no mercado e o tempo médio de vida de cada categoria de produto para estimar a geração de lixo eletrônico.
Coleta formal4
Parcela do lixo eletrônico gerado que segue para reciclagem ou destinação ambientalmente adequada por meio de sistemas formais de coleta e registro. Segundo o Global E-Waste Monitor 2024, em 2022 esse índice foi de apenas 22,3% em todo o mundo.
Assista ao vídeo.
Movimentação Transfronteiriça de Lixo Eletrônico5
É a movimentação de resíduos eletrônicos entre países.
Em 2022, 5,1 milhões de toneladas cruzaram fronteiras, com cerca de 65% saindo de países de alta renda em direção a países de renda média e baixa, frequentemente por rotas que autoridades não controlam nem documentam.
Composição material6
Detalhamento dos materiais presentes nos resíduos eletrônicos por categoria de equipamento: metais ferrosos, metais não ferrosos (como cobre e alumínio), metais críticos (como ouro e paládio), plásticos, vidro, substâncias como chumbo e mercúrio.
Esse dado é essencial para avaliar o potencial de recuperação de materiais e os riscos ambientais do descarte inadequado.
UNU-KEYs
Sistema de classificação que a Universidade das Nações Unidas desenvolveu para os equipamentos eletrônicos.
Ele organiza os produtos em categorias e subcategorias padronizadas, permitindo que países com sistemas de classificação diferentes produzam dados comparáveis entre si.
O que mudou na terceira edição do guia?

A atualização de 2026 traz três avanços metodológicos principais em relação à edição de 2018.
O primeiro é a introdução dos UNU-KEYs Versão 2, que atualiza a classificação dos equipamentos para capturar o cenário atual da eletrônica, incluindo categorias que ganharam relevância nos últimos anos, como painéis fotovoltaicos e equipamentos de infraestrutura digital.
O segundo avanço são os novos métodos para medir fluxos transfronteiriços de lixo eletrônico e para quantificar a recuperação de matérias-primas secundárias. Até agora, pesquisadores, governos e organismos internacionais tinham dificuldade para rastrear esses dados com precisão. A atualização oferece abordagens mais robustas para isso.
O terceiro é a expansão dos parâmetros técnicos de composição material, incluindo correlações com classificações de comércio e produção industrial. Isso facilita que países conectem seus dados de resíduos eletrônicos a outras estatísticas econômicas, ampliando a utilidade das informações para a formulação de políticas industriais e ambientais.
Como a Green Eletron atua nesse contexto
A Green Eletron opera em conformidade com os padrões mais atualizados de gestão de resíduos eletroeletrônicos, pilhas e baterias.
Com mais de 11 mil pontos de coleta distribuídos em todos os estados do Brasil e presença em cerca de 1,4 mil municípios, conectamos consumidores, empresas e operadores de manufatura reversa homologados em uma cadeia de logística reversa estruturada e documentada.
Contribuir para esse sistema começa com um gesto simples: levar os eletroeletrônicos, pilhas e baterias que você não usa mais para o Ponto de Entrega Voluntária (PEV) mais próximo. É gratuito, é fácil e ajuda a melhorar os indicadores do Brasil e do mundo.
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