Lixo Eletrônico
Como o “chorume eletrônico” pode contaminar o solo
4 min de leitura •

Saiba como o contato entre lixo eletrônico, chuva e solo pode gerar um líquido contaminado por metais e afetar os lençóis freáticos.
Nesta semana, em 15 de abril, foi celebrado o Dia Nacional da Conservação do Solo, instituído pela Lei nº 7.876/1989, que reforça a importância de proteger esse recurso natural.
Entre os desafios associados ao descarte inadequado de resíduos, o lixo eletrônico, que inclui eletroeletrônicos, pilhas e baterias, tem bastante relevância.
Quando descartados incorretamente, esses produtos podem passar por processos físicos e químicos, gerando um tipo específico de “chorume“ contaminado por metais, conhecido como lixiviado de lixo eletrônico. Saiba como isso acontece e por que o descarte correto é decisivo para evitar a contaminação do solo… e da água.
O que é o “chorume eletrônico” e como ele se forma?

Quando eletroeletrônicos, pilhas e baterias são descartados no lixo comum, eles podem ser destinados a aterros ou, em cenários mais críticos, a lixões.
Nesses ambientes, o contato com o solo, a umidade ou a água inicia um processo físico-químico que pode resultar na formação de um líquido contaminado, denominado lixiviado de lixo eletrônico (e-waste leachate), ou, de forma mais popular, “chorume eletrônico”.
O mecanismo de formação é semelhante ao do chorume orgânico. No caso do lixo eletrônico, o líquido pode carregar metais pesados e compostos químicos complexos: a água, geralmente a da chuva, se infiltra na massa de resíduos, dissolve substâncias presentes nos eletroeletrônicos, pilhas e baterias e transporta os contaminantes ao longo do solo. Esse processo é conhecido como lixiviação, e o líquido contaminado que se forma é o lixiviado.
O processo, porém, não depende apenas da presença de água. Fatores como tempo de exposição, acidez do meio e composição dos materiais influenciam diretamente a intensidade da lixiviação.
Como o lixo eletrônico pode contaminar o solo e o lençol freático?

Eletroeletrônicos, pilhas e baterias contêm tanto materiais valiosos para a mineração urbana quanto contaminantes potencialmente perigosos.
O lixiviado pode conter metais como chumbo, cádmio, mercúrio, arsênio e cromo, além de compostos químicos como retardantes de chama bromados, utilizados em componentes eletrônicos.
Esses materiais não se degradam facilmente e podem se acumular ao longo do tempo, inclusive na cadeia alimentar. Esse processo pode causar danos à saúde humana, a outros seres vivos e aos ecossistemas.
O principal risco ambiental, porém, está na capacidade de o lixiviado do lixo eletrônico atingir a água superficial e subterrânea. O líquido pode infiltrar-se no solo e migrar por suas camadas até alcançar o lençol freático. Esse movimento depende das características do solo, da quantidade de chuva e da concentração de contaminantes, mas pode vir a contaminar aquíferos utilizados para abastecimento, agricultura e pecuária.
Por isso, a forma mais eficaz de evitar esse tipo de contaminação é impedir que o lixo eletrônico chegue a locais inadequados.
Quando eletroeletrônicos, pilhas e baterias são encaminhados a sistemas de logística reversa, eles passam por processos controlados de triagem, desmontagem e reciclagem, o que reduz o risco de contaminação ambiental.
Na prática, isso começa com uma decisão simples. Ao utilizar um Ponto de Entrega Voluntária (PEV), você garante que os produtos já sem uso terão destinação adequada. A Green Eletron disponibiliza um localizador online que permite encontrar o ponto de coleta mais próximo, a partir do seu endereço. Acesse.


