Vozes da Sustentabilidade

Humberto Barbato: 10 anos de Green Eletron e os avanços da logística reversa no Brasil

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Neste 31 de março, a Green Eletron completa 10 anos de existência e consolida seu papel como uma das principais entidades gestoras de logística reversa de eletroeletrônicos, pilhas e baterias no país.  

Criada a partir de uma articulação liderada pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), a Green Eletron surgiu como resposta estruturada às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). O objetivo era claro: viabilizar, em escala, a coleta e a destinação ambientalmente adequadas de eletroeletrônicos, pilhas e baterias. 

Diante deste importante marco, o Vozes da Sustentabilidade deste mês vem de um convite muito especial: chamamos o presidente da Green EletronHumberto Barbato, para falar sobre nosso aniversário e os avanços e desafios da logística reversa agora e para o futuro.  

Humberto Barbato é administrador, com especialização em Comércio Exterior pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e MBA em gestão empresarial pelo Ministério da Indústria e Energia do Governo da Espanha.  

Atua na Abinee há mais de duas décadas, onde iniciou na área de relações internacionais, assumiu a presidência da entidade em 2007 e, desde 2013, ocupa o cargo de presidente-executivo.  

Ao longo de sua trajetória, também exerceu funções estratégicas na indústria, como a presidência do Conselho Setorial da Indústria (CONSIN), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), além de participação em conselhos da própria confederação e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), com atuação voltada à competitividade, inovação e articulação institucional. 

1. Ao longo desses 10 anos, quais avanços você destaca na consolidação da logística reversa de eletroeletrônicos no Brasil? 

A última década foi marcada por avanços importantes na estruturação da logística reversa no país. Houve evolução no arcabouço regulatório, maior engajamento da indústria e a criação de sistemas capazes de operacionalizar a coleta e destinação de resíduos em escala nacional.  

Green Eletron desempenhou um papel relevante nesse processo e contribuiu para a oferta de soluções viáveis e de custos mais acessíveis para as empresas associadas no cumprimento das obrigações legais da PNRS. 

Um marco importante foi a assinatura do Acordo Setorial para a Logística Reversa de Eletroeletrônicos, em 2019. Na ocasião, o documento, firmado entre entidades representativas do setor eletroeletrônico e o governo federal, teve como objetivo estruturar e viabilizar a implantação desse sistema de logística reversa no país, tendo sido, inclusive, submetido a consulta pública. 

Posteriormente, o Acordo foi consolidado pelo Decreto Federal nº 10.240/2020, que hoje regulamenta o sistema de logística reversa de eletroeletrônicos em nível nacional. Trata-se de um marco regulatório que contou com forte atuação da Green Eletron ao longo de todas as etapas de negociação. 

Além disso, posso mencionar avanços na conscientização da sociedade, ainda que de forma gradual e que haja muito a evoluir nesse sentido. 

2. Qual foi o papel da Abinee na criação e no desenvolvimento da Green Eletron ao longo dessa trajetória?

A Abinee teve atuação direta na concepção da Green Eletron, liderando o diálogo com o governo e com as empresas associadas para estruturar um modelo viável de logística reversa.  

O foco sempre foi construir um sistema eficiente, alinhado à legislação e às necessidades da indústria. Ao longo do tempo, a Green Eletron continuou exercendo esse papel de articulação institucional, contribuindo para o aprimoramento do modelo e para sua expansão. 

3. Quais são hoje os principais desafios para ampliar a coleta e a destinação adequada de resíduos eletroeletrônicos?

Em um país com as dimensões do Brasil e com um engajamento ainda reduzido da população, os desafios ainda são significativos, principalmente na ampliação da infraestrutura de coleta e no próprio engajamento dos consumidores 

O Brasil, por seu território e diferenças regionais, exige soluções logísticas complexas, que, inclusive, têm sido enfrentadas com bastante êxito pela Green Eletron.   

Além disso, é necessário sempre fortalecer a comunicação com o consumidor, para que ele saiba onde e como descartar corretamente seus resíduos. A integração entre indústria, poder público e sociedade também é um fator crítico para avançar. 

4. Como você avalia o papel da indústria na promoção da economia circular e da sustentabilidade no setor eletroeletrônico? 

A indústria tem papel central, e as empresas vêm incorporando práticas mais sustentáveis ao longo de toda a cadeia, desde o desenvolvimento de produtos até a gestão do pós-consumo.  

A logística reversa é um elemento essencial dessa agenda, porque permite reinserir materiais na cadeia produtiva, reduzir impactos ambientais e atender às exigências legais. Esse movimento tende a se intensificar, impulsionado por inovação e por uma demanda crescente por soluções sustentáveis, que, inclusive, têm sido mais exigidas pelos próprios consumidores. 

5. Olhando para os próximos anos, quais são as perspectivas para a logística reversa e para a atuação da Green Eletron no Brasil?

Temos desafios, mas as perspectivas são positivas. Existe uma tendência natural de expansão dos sistemas de logística reversa e maior capilaridade das operações, mesmo porque a evolução regulatória e o avanço da agenda ambiental devem fortalecer esse cenário, lembrando que estamos chegando ao final da Agenda 2030 

Green Eletron tem plenas condições de ampliar sua atuação e consolidar um modelo cada vez mais robusto, alinhado às melhores práticas e inovações internacionais e consolidando seu papel como referência no setor de logística reversa e economia circular e na defesa dos interesses dos associados no diálogo com o poder público.  

O desafio será continuar evoluindo em escala, tecnologia e engajamento da sociedade, que, por si mesmos, já são alguns dos elementos que nos levaram a atuar em favor da criação da Green Eletron, um movimento que nos enche de muito orgulho ao observarmos toda a evolução nos últimos 10 anos. Parabéns!