Economia Circular
Mês da Mulher: capacitação feminina fortalece a economia circular
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Capacitação e educação ambiental ampliam a presença feminina na reciclagem e na logística reversa
O Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8, teve como tema global “Give to Gain” (“Doar para receber”, numa tradução livre). A proposta reforça uma ideia simples: quando compartilhamos conhecimento e ampliamos oportunidades, avançamos juntos e fortalecemos a igualdade para mulheres e meninas.
Março, portanto, torna-se um momento importante para refletir sobre a participação feminina em diferentes setores, incluindo a economia circular. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de ampliar oportunidades de formação, capacitação e geração de renda.
Por que o Dia Internacional da Mulher é 8 de março?
O Dia Internacional da Mulher tem origem no movimento internacional por direitos trabalhistas e igualdade política no início do século XX. A primeira proposta surgiu em 1910, quando, em Copenhague, a ativista alemã Clara Zetkin sugeriu a criação de um dia anual para mobilizações em defesa do direito ao voto, melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.
Aprovada a proposta em uma conferência de mulheres na capital da Dinamarca, diferentes países começaram a observar o evento, mas com diferentes datas. O 8 de março só se consolidou alguns anos depois, quando manifestações de trabalhadoras ocorreram na Rússia em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial.
Naquele dia, mulheres foram às ruas reivindicar “pão e paz”, protestando contra a escassez de alimentos e as condições de vida. A mobilização marcou o início de uma série de protestos sociais que contribuíram para o processo que culminou na Revolução Russa.
Como as mulheres atuam na reciclagem no Brasil?
No Brasil, a presença feminina no setor de reciclagem é significativa. Na reciclagem de base popular, por exemplo, as mulheres representam 55,5% dos trabalhadores cadastrados em cooperativas e associações, segundo o Anuário da Reciclagem 2025.
No entanto, diz o Anuário, esse protagonismo feminino não necessariamente se traduz em igualdade de condições. Segundo o documento, as mulheres ainda ocupam menos funções de liderança forma e, em muitos casos, têm também rendimentos inferiores aos homens.
Nesse contexto, iniciativas de formação e educação ambiental, além de ampliar oportunidades, podem fortalecer a atuação das mulheres em áreas estratégicas ligadas a ESG (Environmental, Social, and Governance).
Por que a formação é tão importante para a participação feminina na economia circular?
A economia circular propõe mudanças no modelo tradicional de produção e consumo, cuja base é a economia linear: em vez de descartar produtos pós-consumo, busca-se recuperar os materiais presentes nesses produtos e reinseri-los no ciclo produtivo por meio da reciclagem e da logística reversa.
Assista ao vídeo.
Como vimos, muitas mulheres já atuam diretamente na reciclagem, especialmente na coleta seletiva e na triagem de materiais recicláveis. Investir na formação dessas profissionais pode tornar a economia circular ainda mais dinâmica, justamente porque a participação feminina já é significativa no setor.
Além disso, programas de capacitação ajudam a desenvolver competências técnicas e habilidades de gestão, ampliando oportunidades de carreira, crescimento profissional e geração de renda, trazendo um forte impacto social.
Quais caminhos de formação podem ajudar mulheres a atuar na economia circular?
Existem muitos caminhos de formação que podem apoiar o crescimento profissional das mulheres na economia circular.
A busca por cursos e treinamentos em sustentabilidade, gestão de resíduos e governança ambiental é um passo importante para compreender melhor o funcionamento da cadeia da reciclagem, incluindo a do lixo eletrônico. À medida que cresce a geração de lixo eletrônico, aumenta também a necessidade de profissionais capacitadas para atuar em processos de logística reversa e reciclagem desses equipamentos.
Além disso, é possível participar de redes de colaboração e programas de mentoria. Há iniciativas voltadas ao empreendedorismo feminino que oferecem conteúdos sobre gestão, inovação e liderança.
Um exemplo brasileiro é o programa Empreendedoras da Reciclagem, iniciativa voltada à formação de mulheres que atuam no setor de resíduos. O programa oferece mentorias, capacitação em empreendedorismo e conecta profissionais do setor, oferecendo a chance de mais aprendizagem e networking.

Para quem já atua na gestão, cursos e certificações são outra possibilidade. O Global Certificate Course in Women in Circular Economy, por exemplo, trabalha a qualificação em nível internacional, ao mesmo tempo que traz uma perspectiva de gênero à economia circular.
Neste mês de março, o tema “Give to Gain”, portanto, dialoga diretamente com iniciativas que compartilham conhecimento, ampliam oportunidades e fortalecem a formação profissional das mulheres. Essas ações contribuem para preparar profissionais para atuar em áreas como reciclagem, logística reversa e governança ambiental.
👩👨Saiba mais: leia a entrevista com Lissandra Palheta Cordeiro, que comenta sobre o papel das mulheres na economia circular e na governança ambiental.


