Logística Reversa

3 tendências da logística reversa de eletroeletrônicos para 2026

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Circularidade, IA e metais críticos impulsionam a reciclagem no próximo ano. 

A projeção global de lixo eletrônico segue em alta. Segundo o The Global E-waste Monitor (2024), estima-se que o mundo pode gerar cerca de 82 milhões de toneladas de e-waste até 2030.  

Esse cenário reforça a necessidade de ampliar a logística reversa de eletroeletrônicos, pilhas e baterias, fundamental para recuperar materiais, evitar contaminação do solo e da água e fortalecer a economia circular, mas como isso deve acontecer a partir de 2026? A fim de encontrarmos algumas respostas, vamos discutir mais sobre o futuro, que já está aí. 

O que é logística reversa? 

logística reversa é o processo que recolhe produtos pós-consumo e os direciona para a reciclagem, reintegrando assim seus materiais à cadeia produtiva.  

Ela viabiliza a economia circular, que é, por sua vez, um modelo que busca manter recursos em uso pelo maior tempo possível, o que reduz a extração de novos insumos. 

Os dois conceitos são diferentes, mas, ao mesmo tempo, complementares: se a circularidade define o princípio, a logística reversa é parte de sua operacionalização.

Assista ao vídeo. 

Quais tendências vão moldar a logística reversa entre 2026 e 2030? 

Mapeamos pelos menos três tendências importantes em logística reversa para 2026. Essas tendências devem prosseguir até 2030, quando se inicia a próxima década. Algumas, inclusive, já começaram a ser implementadas.  

1. Responsabilidade Estendida do Produtor (REP/EPR) e Passaporte Digital de Produto (DPP) 

Segundo a especialista Isabella Harrington, 2026 marca um avanço decisivo do modelo Extended Producer Responsibility (EPR). Em tradução livre, Responsabilidade Estendida do Produtor (REP). 

O modelo é definido pelo Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) como uma abordagem que responsabiliza fabricantes por todas as etapas do ciclo de vida dos produtos, inclusive no pós-consumo. O EPR ganha força com a chegada do Digital Product Passport (DPP), da União Europeia. 

O DPP, ou Passaporte Digital de Produto, deve começar a ser implementado em 2026. Com ele, os produtos terão um “registro histórico”. Essas informações vão ampliar sua rastreabilidade e circularidade — e devem impactar fortemente o mercado de eletroeletrônicos, pilhas e baterias. 

 2. Inteligência artificial na triagem e a reciclagem de eletroeletrônicos 

De acordo com a revista Waste Advantage, há um crescimento acelerado de sistemas de triagem com IA e machine learning, que permitem aumentar a eficiência e precisão na recuperação de componentes eletroeletrônicos na reciclagem. 

Esse uso da IA e de outras tecnologias de ponta na logística reversa vincula-se fortemente à proposta da mineração urbana, que é extração de metais a partir do lixo eletrônico descartado adequadamente e que tem ganhado força e investimento nos últimos anos.

Já a StartUS Insights apresenta casos reais que combinam IA e outras tecnologias, como o blockchain. Essas tecnologias permitem rastrear fluxo de resíduos, prever volumes e otimizar rotas de coleta, com processos mais rápidos, automatizados e com maior taxa de reciclagem. 

Imagem de celular em que se vê ciborgue, que, por sua vez, está em frente à câmera, em alusão à inteligência artificial aplicada à logística reversa de eletroeletrônicos.
Foto: Aidin Geranrekab | Unsplash.

3. Aumento da valorização das marcas com logística reversa 

A pesquisa Resíduos Eletrônicos no Brasil 2025, realizada pela Green Eletron em parceria com o Radar Pesquisas, detectou avanços na consciência ambiental da população sobre o destino correto dos eletroeletrônicos.

Agora, 66% dos brasileiros já sabem o que é lixo eletrônico, e 8 em cada 10 conhecem pontos de coleta Além disso, 85% declararam valorizar e reconhecer marcas que realizam logística reversa. 

Juntos, esses dados sugerem que a logística reversa de eletroeletrônicos deverá ser, cada vez mais, um componente na decisão de compra por parte do consumidor. Evidencia-se, assim, uma crescente demanda da sociedade por empresas alinhadas aos princípios ESG (Environmental, Social, and Governance). 

Como essas tendências podem impactar o Brasil em 2026? 

O avanço global em tecnologias, políticas públicas e preferências de consumo tem estimulado o Brasil a fortalecer sua cadeia de logística reversa, ampliar a reciclagem do lixo eletrônico e incentivar o descarte correto de eletroeletrônicos, pilhas e baterias. 

O caminho para 2026 exige corresponsabilidade. Governos, empresas e consumidores podem atuar juntos para fortalecer a logística reversa, investir em rastreabilidade, adotar tecnologias de IA e ampliar a educação ambiental para um futuro cada vez mais sustentável.


Foto de capa: rawpixel.com | Freepik.